Não é mais novidade a gente se deparar com notícias sobre as mais recentes denúncias de um escândalo de corrupção. Esse tipo de notícia tem se tornado cada vez mais frequente, em especial nas semanas em que surgem anúncios de "esquemas" de desvio de recursos públicos. O retrato, no entanto, não diz respeito apenas ao Brasil. Pelo contrário, isso já está sendo considerado um dos maiores males da humanidade em todos os tempos. Segundo estudos, atualmente a corrupção movimenta 1 trilhão de dólares por ano em todo o mundo. O valor equivale a metade de todo o dinheiro movimentado pelo crime no planeta anualmente. O Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário, uma desonrosa 59ª posição. Nesse cenário torna-se cada vez mais difícil encontrar saídas para o problema, que envolve não apenas governos, mas também empresas privadas. Leis e estruturas administrativas precisam ser alteradas. A corrupção é cruel . Muito mais do que uma prática criminosa, em alguns casos ela se mostra enraizada nos princípios administrativos de governos e até mesmo na administração de empresas. Isso faz com que se torne a complexo o seu combate.
A corrupção tem diferentes faces que se manifestam dentro dos poderes, nas relações entre os poderes e, mais especificamente em cada estrutura administrativa. Ela tem caráter diferente em cada lugar e essa característica “camaleônica” é a razão para se rechaçar discursos demagógicos que prometem extirpar o mal.
Quem afirma que vai acabar com a corrupção rapidamente está mentindo, porque não é possível. Tradicionalmente, o combate a essa modalidade de crime no Brasil tem sido marcado por esse tipo de discurso demagógico. Pouco se faz, principalmente para prevenir desvios nas esferas federal, estadual e municipal.
Em geral, as poucas medidas efetivas tomadas contra esse tipo de crime se restringem as ações reativas, quando o crime já ocorreu , por consequência quando o prejuízo já é quase irreversível. O certo mesmo é: quanto mais o Estado for eficiente, menos corrupção. Essa é a forma de preveni-la. É preciso ampliar as ações preventivas. Não se pode ter sempre essa quantidade enorme de escândalos na mídia porque mostra que está falhando o lado da prevenção. O discurso demagógico que é infelizmente extremamente comum, e não apenas só entre políticos.
A corrupção acontece porque há oportunidade para ela acontecer. É preciso reduzir as oportunidades.